O Primeiro Festival de Òrìṣà de Santos

Realizado em 12 de outubro de 2025, o Festival dos Orixás Céu da Meia Noite, Ilé Àṣẹ Ifatosin, marcou um momento histórico para o Culto Tradicional Yorùbá em nossa cidade, reunindo diferentes gerações de sacerdotes da casa matriz Odùduwà Templo dos Orixás, casas irmãs e a comunidade em uma grande celebração da vida e da ancestralidade.
O evento entrou para a história como o primeiro festival do Culto Tradicional Yorùbá realizado na cidade de Santos, afirmando essa tradição como uma expressão viva de espiritualidade, cultura e herança ancestral em nosso território.
Mais do que um encontro festivo, o festival representou um compromisso público com o respeito à tradição, à ética ritual e à preservação dos fundamentos do culto aos Orixás. Também reforçou a luta contra a intolerância religiosa e o racismo, mantendo viva a prática o mais fiel possível às raízes yorùbás.

A CONSTRUÇÃO DO FESTIVAL

Os festivais são momentos em que a tradição se torna pública, onde viver e cultuar os Orixás se torna uma experiência coletiva. É quando estamos ao lado dos deuses, por meio dos cantos, do toque dos tambores, das oferendas e da presença viva do sagrado entre nós.
A realização deste Festival foi fruto de meses de preparo e dedicação dos filhos e filhas do Céu da Meia Noite e de nossos Sacerdotes convidados. Cada parte do encontro, da organização aos rituais, da recepção à condução espiritual, foi construída com cuidado e profundo respeito à tradição.
O festival revela a força do trabalho coletivo e do compromisso com o sagrado, valores que sustentam e orientam a caminhada espiritual da casa.

Èṣù

Um dos mais importantes orixás do panteão Yorubá, é o grande mantenedor da ordem, da organização e da disciplina.

Defensor da justiça, bom amigo e bom conselheiro, é também alegre, leal e fiel.

Está sempre presente nos locais de encontro de caminhos, representados pelas encruzilhadas.

Ògún

Patrono de ferreiros, caçadores, guerreiros e todos os que lidam com ferro e aço. Forte e poderoso, é o herói civilizador: trabalha sobre a natureza do ferro e do fogo.

Rege a mineração, a metalurgia, a guerra, a caça e a agricultura, ligando-se assim à questão do trabalho e da tecnologia.

Ọ̀ṣun

Senhora dos rios, dos metais nobres, da fertilidade e da prosperidade.

Chamada Mãe das crianças, a ela pertence a fertilidade de homens e mulheres.

Confere proteção contra acontecimentos adversos a seus devotos, sendo invocada nas mais distintas circunstâncias, pois não há o que não possa fazer para ajudá-los

Ọya

Senhora dos ventos e tempestades, é conhecida no Brasil como Iansã.

Conhecida pela beleza descomunal, esta Ìyámi tem espírito guerreiro, capacidade estratégica e força extraordinária.

Fortes ventos e tempestades são considerados expressões do descontentamento de Ọyá.

Ṣàngó

Senhor dos raios, relâmpagos e trovões, Ṣàngó é o quarto rei de Òyó.

Considerado feroz, generoso, provedor de filhos, dinheiro, curas e, especialmente, justiça, abomina falsidades, mentiras, roubo e envenenamento.

As punições de Xangô são consideradas nobres e as mortes por raio não devem ser lamentadas.

Ẹgbẹ́

Egbé significa Sociedade: designa a Sociedade dos Espíritos Amigos e se refere, ao mesmo tempo, a um orixá e a uma irmandade ou corporação de seres espirituais.

O culto a Egbé protege contra a morte prematura, acalma o sofrimento material e espiritual e orienta o ori do abiku e de seus devotos a seguir o caminho certo.

Yemọjá

Senhora de todas as águas, é associada à fertilidade, à procriação e ao poder das Iyami; abençoa seus devotos concedendo-lhes fertilidade, longevidade, prosperidade, paciência e motivação para lutar pela vida.

O nome Yemoja significa Mãe dos filhos peixes. É considerada mãe de muitos orixás, entre os quais Ogum e Oxum.

Ajé

Ajé o orixá da prosperidade. Relaciona-se ao nascimento, à vida e à morte das pessoas. Ela é ao mesmo tempo representante do dinheiro dos homens e guardiã do progresso dos homens e dos orixás.

Ajê é uma orixá paciente, próspera, fértil, longeva, sábia, harmoniosa, generosa, tolerante, justa e protetora da riqueza do homem (em todos os sentidos), atraindo dinheiro para quem a cultua.

AGRADECIMENTOS

O Céu da Meia Noite Ilé Àṣẹ Ifatosin agradece a todos que tornaram possível a realização do Festival dos Òrìṣà: às casas amigas e sacerdotes convidados, aos tocadores de tambor, aos colaboradores, apoiadores, doadores e patrocinadores, e a cada filho e filha da casa que dedicou tempo, força e axé para que este Odún se manifestasse.
Registramos também nossa gratidão à família Odùduwà e, de forma especial, ao nosso mestre Baba King, que abriu caminhos para que esse momento se tornasse possível. Estendemos ainda o agradecimento a todas as pessoas que contribuíram e caminharam conosco na construção do nosso caminho sacerdotal, permitindo que hoje pudéssemos estar à frente de uma realização tão significativa para a vida de tantas pessoas.
Que o axé compartilhado neste festival retorne multiplicado a todos que caminharam conosco.