Orixá sem disputa, sem ego, só verdade

Muitas pessoas chegam até mim em conversas, em jogos de búzios aqui no templo ou online e eu percebo o quanto as pessoas se preocupam com futilidades ao invés do que realmente fará a diferença na vida delas. Refletindo muito sobre isso eu percebi que as pessoas talvez não saibam como aproveitar isso tudo e foi pensando nisso que senti de escrever hoje para vocês.
Orixá não escolhe favoritos, quem faz diferença é o aproveitamento do axé

Existe uma confusão muito comum quando falamos de Orixá. Muitas pessoas ainda acreditam que um Orixá é mais forte que o outro ou que alguém é mais privilegiado espiritualmente por carregar determinada força. Essa visão não apenas é equivocada, como também desvia da compreensão tradicional.

Por isso é preciso fazer uma defesa clara.

Como diz meu mestre: Orixá é natureza.
E a natureza não privilegia ninguém.

O sol nasce para todos. O vento sopra para todos. A chuva cai para todos. A força que sustenta a vida é universal. Não existe um sol especial para alguns e outro inferior para outros.

Mas aqui entra um ponto importante.

Embora o sol seja gratuito, instalar energia solar em casa não é. Você não paga pelo sol. Você paga pela tecnologia, pelos painéis, pela estrutura que permite aproveitar aquela energia.

Com Orixá acontece algo semelhante.

A energia está disponível para todos. O que muda é a capacidade de cada pessoa de receber, sustentar e transformar essa força na própria vida. Isso exige aprendizado, preparo, consciência, disciplina espiritual, caráter e responsabilidade com o próprio destino.

É aí que surgem as diferenças.

Não porque um Orixá seja melhor que outro. Não porque alguém seja escolhido e outro não. Mas porque alguns aprendem a usar melhor aquilo que recebem, enquanto outros simplesmente não aproveitam nada.

Outra distorção comum é a competição espiritual.
– Meu Orixá é mais forte que o seu.
– Tenho mais iniciações que você!
– Minha tradição é superior.
– Meu caminho é melhor.

Nada disso faz sentido dentro da lógica dos Orixás.

Cada pessoa pode considerar seu caminho o melhor para si, e isso é legítimo. O que não é legítimo é transformar essa preferência em argumento para diminuir o caminho do outro, tratando o que é do outro como inferior.

Nos Orixás não existe superioridade. Existe afinidade, destino e aproveitamento.

O que cria distância entre as pessoas não é o Orixá que carregam, mas o quanto conseguem transformar essa energia em equilíbrio, crescimento, prosperidade e consciência.

No fim, a pergunta não é qual Orixá é mais forte.

A pergunta verdadeira é:

O quanto você está aproveitando a força que recebeu?

Porque o axé está disponível para todos.
A diferença está em quem aprende a usá-lo.